sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Notícias frescas

Iniciei uma dieta de desintoxicação com uma nutricionista funcional. Pensei que seria muito difícil, afinal, sucos verdes detox e alimentos funcionais nunca foram presenças constantes no meu cardápio. Para minha surpresa consegui seguir certinho o programa de 15 dias. E ela pediu que eu continuasse nele por mais 15. 

Anteontem refiz alguns exames, dentre eles glicemia e as benditas enzimas do fígado. Hoje levo na endocrinologista. Todos estão baixando: glicemia, que antes estava 101 agora está 95. Uma das enzimas, que antes tava 148, agora está 101. E a outra, que estava 74 agora está 46. Vale lembrar que o limite é 31, então ainda falta bastante para chegar no ideal. Sigo firme no detox e também na academia. E desde o meu processo de reeducação alimentar, que começou no ano passado, em agosto, já se foram 26,9kg. 

Continuo tomando as homeopatias e o pânico deu uma trégua. Espero que permaneça assim. Coloquei na cabeça que tudo tem uma saída e uma solução. E para tudo tem tratamento. Então não vou mais esquentar a cabeça e ficar nervosa à toa. Já sou bem estressada e com pânico então tudo vira uma festa que de arromba sem fim com pagode ruim, cerveja quente e fumaça na cara. Estou bem animada e acho que até o final do ano tudo vai estar normalizado e vou, finalmente, poder começar as tentativas. 


quarta-feira, 24 de julho de 2013

Bad News


Dei uma sumidinha daqui por algumas razões nem tão legais assim. A primeira é que eu tava recebendo muitos comentários urubus. Sabe o que é comentário urubu? É aquele assim: nossa, mas já tem enxoval para o baby? Cedo, né? Dá azar, viu? Nossa, mas quer engravidar com problemas de pressão? É um perigo, viu? Mulher hipertensa pode morrer na gravidez ou nem completar a gestação. Pra completar ainda tem pânico? Ih, tem mulheres que piram, fora a depressão pós-parto, quem tem pânico tem mais risco. Bom, depois de tantos comentários pra lá de agradáveis, resolvi guardar pra mim o que deve ser guardado pra mim e deixar pra contar o que tem acontecido para pessoas que realmente querem o meu bem. Sabe, nem todo mundo quer o nosso bem. E isso é triste.

A segunda é que tô fazendo um tratamento com um homeopata, ele me pediu uns exames, me enrolei horrores para fazer e quando fiz alguns resultados estavam ruins. A glicemia, por exemplo, estava alterada, 101. O cortisol também estava alterado. E umas enzimas no fígado estavam bem altas. O limite é 31, pra ter uma ideia uma estava 148 e a outra 74, bem acima. Tudo isso fez com que o meu pânico voltasse. E essa é a terceira razão ruim. O pânico era pra ter ficado no passado, quietinho, no lugar dele. Mas não, ele resolveu dar as caras. Logo que eu tive minha primeira crise, entendi que aquilo tudo tinha relação com a elevação da pressão arterial e com os problemas que tinham acontecido na minha família (leia-se morte do meu avô + AVC da minha avó). Só que agora eu estava relacionando com outras coisas, igualmente ruins, e isso fez com que eu ficasse extremamente nervosa, chorosa e com um medo absurdo de morrer. É sempre esse o foco: o medo de morrer. Logo eu, que gosto tanto da vida. 

Fui numa endocrinologista, que pediu uma ecografia abdominal total. Fiz, o resultado saiu e é gordura no fígado. Ela pode ter surgido por diversos fatores: excesso de peso, redução de peso, dieta da proteína, já que o fígado não consegue sintetizar tanta proteína consumida. Já emagreci bastante, ainda falta um pouco, mas agora estou pensando na saúde. Realmente não posso seguir com a Dukan (meu cabelo começou a cair horrores por causa da dieta, fui na dermato e ela me passou um remédio para cabelos e unhas), dieta que estava fazendo, já que ela está fazendo mal para o meu fígado. A endócrino pediu outros exames, que devo fazer daqui a uns 10 dias. Estou me exercitando todos os dias, sem falhar, faça chuva, sol, frio ou neve. E por enquanto tenho comido diariamente proteína e vegetais. Marquei uma nutricionista funcional para hoje, pois preciso que ela me ajude. Vou chegar lá e dizer: tenho pressão alta, síndrome do pânico, glicemia alterada, cortisol alterado e gordura no fígado. Ela vai me mandar nascer de novo. 

Agora, tenho que cuidar da alimentação, fazer um tratamento com homeopatias (o médico me deu três homeopatias: uma para o fígado, outra para equalizar o cortisol e mais uma para o pânico). Sei que muitas pessoas têm gordura no fígado, mesmo quem está dentro do peso ideal. Mas confesso que achei que as coisas seriam mais simples, que era só chegar no meu peso, parar de tomar pílula e começar a tentar o tão esperado baby. Isso me deixou frustrada e desanimada, mesmo porque no final do mês completo três meses de ácido fólico. Vou seguir tomando, é claro. Só que não sei quando vou poder começar a tentar o baby. Fora isso, ainda tem outra coisa: tem gente que tenta por um tempão. E isso me desanima mais ainda. Procuro não pensar nessas coisas, mas é inevitável, afinal, não é só parar de tomar pílula para engravidar. É um processo e ainda estou longe dele. Na verdade, me sinto cada vez mais longe. 

(Mas sei que é fundamental que a saúde esteja em dia.)

domingo, 26 de maio de 2013

Dúvidas das gestantes

Imagem: Google


A gravidez mexe com o físico e o psicólogico de todas as mulheres. É um momento de intensas mudanças e novidades, tanto no corpo quanto na mente. O José Bento de Souza, ginecologista e obstetra e autor do livro "Engravidar - Sim, é possível" esclareceu algumas dúvidas para o site bebe.abril.com.br

Alimentação
É necessário que a mulher mude os hábitos alimentares durante a gravidez?
José Bento: É fundamental que a mãe mantenha uma boa alimentação para garantir ao bebê todos os nutrientes essenciais, e assim, ajudar no seu desenvolvimento e formação. A partir de uma nutrição adequada é que a mulher garante uma gestação mais tranquila, sem a ocorrência de anemias, hemorragias e diabete gestacional. Por isso, é importante que as mulheres acrescentem cerca de 300 calorias à sua dieta diária para nutrir o feto em desenvolvimento, preferencialmente distribuídas em cinco refeições (desjejum, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar), preparadas com ingredientes que são fontes de proteínas, ferro, cálcio e ácido fólico, preferencialmente com um baixo teor de gordura.

Além de uma boa alimentação, suplementos de vitaminas podem trazer benefícios à saúde da mulher grávida?
José Bento: O estado nutricional materno é fator determinante no desenvolvimento do feto, assim como no bem-estar da grávida. Mesmo em gestantes saudáveis, que se alimentam adequadamente, é possível que haja deficiência de micronutrientes (vitaminas e sais minerais). Desta forma, acrescentar suplementação de vitaminas passa a ser uma alternativa eficaz na redução significativa da incidência de malformações neurológicas, cardíacas, faciais, urinárias ou defeitos em membros. Além do mais, há evidências de que, a partir do uso de suplementos vitamínicos especiais para a gestante, pode haver diminuição da incidência de abortamentos, pré-eclâmpsia (pressão arterial elevada, retenção de líquidos e presença de proteína na urina, com sintomas que podem evoluir para convulsão e coma), diabetes gestacional, trombose e nascimentos prematuros. Converse com o seu médico.

Qual é o peso ideal de uma grávida ao final de uma gestação?
José Bento: O peso corporal de uma gestante pode variar entre nove e doze quilos a mais, comparado ao seu peso normal. Esse aumento de peso pode ser de 1,5 a 2 quilos por mês após a 16ª semana. Sendo assim, é importante que haja restrição no consumo de alimentos calóricos, como refrigerantes, balas e doces industrializados.

Cuidados com a saúde e a beleza

Quais são os principais efeitos que a gravidez gera no corpo da mulher, do ponto de vista fisiológico e estético?
José Bento: Nos três primeiros meses, é comum que a mulher sinta mal-estar, como náuseas e vômitos. Além disso, prisão de ventre e inchaço nas pernas são outros sintomas que ocorrem neste período. O volume de sangue armazenado no corpo da mulher pode aumentar em até 50%. Outras mudanças são o aumento das glândulas mamárias, o aumento do útero que pode chegar a 40 cm (7 cm é o normal), e o aumento dos hormônios femininos (estrogênio e progesterona) em até dez vezes.


Grávidas podem fazer exercício físico?
José Bento: Como uma forma de ficar mais preparada para o parto, sofrer menos com inchaço e dores lombares durante a gestação, a adesão aos exercícios físicos torna-se uma importante ferramenta. No entanto, é importante que o médico seja consultado antes de a grávida iniciar qualquer atividade física. Também é preciso saber que o correto é a prática de exercícios físicos de baixo impacto, como caminhadas moderadas, alongamentos e hidroginástica. A prática da atividade física certa irá beneficiar o equilíbrio emocional da gestante, pois é um momento em que ela fica em contato com o próprio corpo, sentindo como o bebê reage aos seus movimentos.


Quais cuidados a mulher pode ter com a beleza durante a gestação?
José Bento: Ter cuidado com a beleza no período de gestação influencia de forma positiva o emocional da mulher. Entretanto, é preciso que a atenção aos tipos de produto utilizados seja redobrada para que não haja qualquer risco para o desenvolvimento do bebê. O aparecimento de estrias, geralmente, é o que mais preocupa as mulheres nessa fase. Elas podem aparecer no abdômen, nas mamas, nas nádegas e nas coxas, pois a pele fica mais fina e esgarçada, ao ser esticada. Uma boa alimentação, o acompanhamento pré-natal e o uso diário de hidratantes e emolientes de boa qualidade são importantes.


É comum que a grávida tenha queda e mudança no tipo de cabelo? Por quê?
José Bento: Devido ao aumento da taxa de hormônios femininos (estrogênio e progesterona) no corpo da gestante, que pode chegar a até dez vezes mais do que o normal fora da gravidez, o cabelo da mulher cresce em um ritmo diferente, ganha mais brilho e força. Em relação à queda de cabelo, ocorre geralmente após o parto, pois com o nascimento do bebê a mulher tem uma diminuição brusca dos níveis hormonais.


Qual é a recomendação para um sono mais tranquilo durante a gravidez? Existe uma posição ideal para dormir nessa fase?
José Bento: É recomendável que as gestantes passem a dormir de lado, preferencialmente do lado esquerdo. Com o crescimento do útero há uma pressão sobre a veia cava, que fica próxima ao lado direito do abdômen, o que impede o retorno correto do sangue dos membros inferiores. Dormindo para o lado esquerdo, a mulher facilita o fluxo sanguíneo e previne o inchaço.

Sexo
A rotina sexual da mulher deve ter alguma alteração?
José Bento: A rotina sexual da mulher durante a gravidez não deve sofrer alterações. Porém, se houver alguma indicação obstétrica, como suspeita de parto prematuro, placenta baixa (placenta prévia) ou sangramento, é importante que a mulher siga as orientações de seu médico. Além disso, é fundamental que a gestante converse bastante com seu parceiro para deixá-lo mais tranquilo e ciente do que ela está sentindo.

Com a gestação, a mulher perde a libido?
José Bento: Tanto o aumento quanto a diminuição da libido podem ocorrer. Com o aumento de até dez vezes dos hormônios femininos (estrogênio e progesterona), a mulher pode ficar mais sensível e ter mais vontade de manter relações com seu parceiro. Após o parto, a tendência é que a sua sensibilidade volte ao normal. Mais existe também a possibilidade, tanto da mulher como do homem, de sentir queda na libido com a notícia da gestação. Para a mulher, esse fato pode ocorrer devido a uma influência hormonal que afeta seu lado emocional. No caso do homem, essa diminuição de libido passa apenas por uma questão psicológica, pois ele pode começar a ver sua parceria com imagem de mãe, além de se preocupar, em muitos casos, em machucar o bebê.

Deve haver cuidados especiais na hora do sexo?
José Bento: Nos primeiros meses não há necessidade de mudanças nas relações sexuais, mas é importante que o casal se sinta confortável em manter a mesma intimidade e praticar as posições que desejam. No entanto, após o sexto mês é comum que haja alguns cuidados especiais. Neste caso, as posições mais indicadas acabam sendo quando a mulher fica de lado para o parceiro ou por cima. Porém, se houver algum incômodo ou dor, é importante que a gestante comunique seu parceiro e seu médico.


Fonte: bebe.abril.com.br

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Notícias



Sei que dei uma bela sumida daqui. É que aconteceram muitas coisas nos últimos tempos. Estive envolvida com alguns projetos que vou contar pra vocês. Há algum tempo, cerca de um ano, comecei a fazer devagarinho o enxoval para meu futuro baby. Sei que muita gente acha loucura e confesso até eu também acho. Mas fazer o quê? Cada louco com sua mania, né? Então eu tive uma super dificuldade em achar coisas "neutras". A maioria eram coisas muito femininas ou masculinas. Daí eu pensei: ia ser legal ter uma loja que vendesse coisas legais e neutras (e, também, coisas só para meninos e meninas). Conversei com meu marido, nós pensamos num modelo de negócio, planejamos, estruturamos e, pronto, surgiu a NINAR. Tá, não foi tão simples assim. É que claro que tudo foi muito bem pensado. E demorado. Mas hoje, com muito prazer, apresento para vocês nossa loja virtual. Cliquem AQUI para conhecer.

Fora isso, estou mega envolvida com meu novo livro. Já contei que agora tenho uma agente? Pois é. Ela é uma pessoa super bacana, mega profissional e dedica. É a minha ex-editora. E ela abriu uma empresa junto com dois sócios, a C! House. Estou com um prazo bem apertado, então o negócio é correr contra o tempo para fazer o melhor trabalho possível para meus leitores que tanto gosto.

Agora, as outras notícias. Conforme já contei, fui ao ginecologista, fiz os exames necessários e está tudo ótimo, ótimo. Confesso que fiquei bem aliviada. Já faz quase um mês que comecei a tomar o ácido fólico, vou esperar mais dois meses e aí começar a tentar. Tô quase no peso ideal, então nesse meio tempo aproveito e fecho a boca pra entrar na linha. Ainda bem que falta pouquinho. Pra tudo começar, né?

segunda-feira, 29 de abril de 2013

The book is on the table

Esses foram os últimos livros que comprei. Confesso que o "Nana nenê" foi mais por curiosidade, já que não concordo em nada com o método de largar o bebê chorando no escuro sozinho no berço. Acho uma crueldade sem tamanho. Resolvi comprar o livro pra ver o que NÃO fazer. Penso o seguinte: se a gente sabe como não agir já é meio caminho andado. É claro que cada criança é uma criança. Ainda tenho dois livros na wishlist: "O bebê mais feliz do pedaço" e "A maternidade e o encontro com a própria sombra". 









sábado, 27 de abril de 2013

Meus pequenos exageros

Imagem: Google



É impressionante como alguns fatos marcam a nossa vida. Pode ter acontecido uma vez, duas ou três, mas acaba virando chiclete grudado na sola do sapato: não sai nem com reza forte. Quando eu era bebê chorava bastante. Então, na minha família recebi o apelido de "chorona". Meu pai desmente um pouco a história. Diz que meu choro era um choro de bebê, aqueles de cólica. Mas o resto da família diz que eu era chatinha mesmo. Sempre tive uma leve tendência ao drama. Quando era menor e me machucava, ia logo mostrando para todo mundo minha "fratura exposta". Isso também virou piada na família (será que sou uma piada?). 

O que é pequeno muitas vezes vira grande. E foi o que aconteceu esses dias. Fui fazer os exames que meu ginecologista pediu. Até aí tudo bem. Mas o laboratório disponibiliza alguns resultados pela internet e como não entendo bulhufas, sempre apelo para o dr.Google. O médico de todas as horas. Segundo o exame, meus leucócitos e linfócitos estavam alterados, aumentados. Google neles. O resultado não foi nada animador. Na melhor das hipóteses eu teria apenas uma infecção. Na pior, leucemia. Daí fiz uma revolução, falei com minha prima (que é médica e sofre com minhas neuras, tadinha), revirei a internet atrás de mais alguma informação, afinal, era sexta-feira e meu médico estava marcado apenas para quinta da outra semana. Lá pelas tantas, pesquisei mais a fundo e descobri: não era infecção nem leucemia. Respirei aliviada e pensei "não vou contar isso pra ele".

A quinta-feira chegou e fui ao médico. Levei os exames, ele olhou e disse que estava tudo ótimo. Sim, tudo ó-t-i-m-o comigo. Contei a história da infecção-leucemia e ele começou a rir. Aliás, ele e meu marido estavam rindo alucinadamente. Então, ele me explicou: para ser uma suspeita de infecção, os leucócitos tinham que estar o triplo ou quádruplo do que estavam. E para ser uma suspeita de leucemia, o resultado tinha que ser aproximadamente 10 vezes maior que o meu. Opa, coisa boa, estou saudável. 

Sou motivo de chacota na família e no consultório médico. Bom, pelo menos faço rir. Pior seria se eu fizesse chorar.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Forçando a barra

Imagem: We heart it


Na minha humilde visão, um filho chega para celebrar o amor entre um casal. Sabe quando a gente ama tanto alguém que quer dar continuidade ao amor? Quer formar uma família bonita? Não aquelas de comercial de margarina, pois isso não existe, mas uma família bonita, que de vez em quando se estranha, discorda, bate boca, mas se aceita e segue em frente, afinal, é isso que as famílias fazem.

É claro que existem casos e casos. Algumas mulheres engravidam de homens que viram apenas uma ou duas vezes. A gravidez acontece "por acaso", "sem querer". Neste ponto sou bem radical: todo mundo sabe como evitar filho. E se não tem nenhum método cem por cento confiável, então usa dois. Preservativo e pílula, por exemplo. É impossível que em 2013 as pessoas não entendam que hoje em dia só tem filho quem realmente quer. Fazer todo mundo sabe, prevenir nem sempre. E acho que JUSTAMENTE pelo fato de você não conhecer, não ter intimidade nem saber o CPF do sujeito, tem mais é que se prevenir de todas as formas possíveis e imagináveis, afinal, tem muito maluco por aí. Isso sem falar nas doenças sexualmente transmissíveis. Se com quem a gente conhece a coisa já tá preta, imagina com um desconhecido? Sexo não é só prazer, é respeito e segurança, sempre.

Se um filho é feito de dois, no mundo ideal o planejamento da chegada do bebê deveria ser feito a dois também. Por que falo "mundo ideal"? Simples, porque na realidade não é assim que a banda toca. Conforme já falei aqui outra vez, participo de alguns grupos fechados no Facebook. São grupos que falam sobre aleitamento materno, educação infantil, maternidade, parto, gestação, tentativas, introdução alimentar e outros. Adoro fazer parte deles, os assuntos abordados são sempre interessantes, é claro que também tem a parte chata, como as panelinhas, a mãe que se acha melhor porque aos 4 meses a filha já fica de bruços, senta e faz diversas gracinhas. Bom, mas o fato é que de vez em quando fico assustada com as histórias que já vi algumas mulheres contarem. Algumas, inclusive, já fizeram o que vou descrever a seguir. 

Eu jamais, em hipótese alguma, pararia de tomar pílula sem o conhecimento do meu marido. Acho uma traição, uma falta de respeito. E prezo muito por uma relação baseada no respeito e na verdade. Muitas mulheres ali, que alimentam o sonho da maternidade, simplesmente largam a pílula, fazem furos em preservativos, armam mil e uma coisas SEM o conhecimento dos parceiros. Ele não quer? Azar o dele, pois eu quero. Ele não quer? Azar, hoje vou ver se sai o meu positivo e depois largo ele. Opa, o que você quer ao lado: um homem, um companheiro, um pai feliz e dedicado ou um inseminador grátis? As pessoas não são brinquedos, ter filho não é como pintar uma parede de casa. É um assunto sério, delicado, é pra vida toda. Eu não entendo como alguém pode ser capaz de fazer uma coisa dessas. Se ele não quer sentem e conversem. Cada um explica o seu motivo, dá a sua visão da história, mostra como se sente. Sou super adepta do diálogo, acho que é a melhor forma de resolver as coisas. De repente, ele não quer porque tem alguns traumas chatos de infância. De repente, a situação financeira de vocês não está das mais favoráveis. De repente, ele tem medo de não ser um bom pai. De repente, ele tem medo que vocês se afastem demais e acabem se perdendo. De repente, ele ainda não está seguro. De repente, ele está com medo, afinal, tudo que é novo assusta. De repente, ele não sabe que você tem os mesmos medos que ele. De repente, existem vários de repente. E isso vocês só vão resolver com conversa, com carinho, com o ato de ouvir o outro, com abraços, com cumplicidade. A única certeza que tenho é que nada se resolve na base da imposição. Nunca. 

sábado, 13 de abril de 2013

Não quero me perder de mim

Imagem: reprodução


Não é à toa que existe aquele velho ditado "a língua é o chicote do c*". Por isso, dizem que quando a gente tem filho acaba se arrependendo de certas coisas que disse. Por exemplo: filho meu vai comer salada, não vai fazer birra, não vou deixar falar palavrão nem comer doce. Daí, inevitavelmente, um dia a criança acaba fazendo o que a gente condenava e, pimba, alguém te olha e diz "não era você que dizia tal coisa?". Sua cara, é evidente, vai parar lá no chão.

Tenho horror de criança mal educada. Também não gosto de criança que participa de assunto de adulto. Muito menos de quem dá ataque e se joga no chão. Eu e meu irmão nunca fizemos essas coisas, fomos educados dessa maneira. Lembro que minha mãe me obrigava a dar bom dia, boa tarde, boa noite e a falar por favor, obrigado e com licença. Tinha gente que eu detestava dar beijo e oi, mas fazia mesmo assim. Meu pai me obrigava a comer salada. Às vezes eu dava um tomate para a cadela. Mas normalmente era obrigada a comer. Lá em casa a gente só tomava refrigerante aos finais de semana. No dia a dia era água ou suco. Doce não era todo santo dia. 

Vejo que muitas crianças comem mal. Bebês comem chocolate, crianças têm livre acesso ao armário de bolachas recheadas, bolos, balas, salgadinhos, guloseimas em geral. Acho errado. Uma alimentação saudável é importante. Depois que cresci fiquei na luta contra a balança. Um engorda-emagrece-engorda-emagrece bem chatinho. Mas hoje aprendi a comer. Entendi que um prato bacana é aquele que tem legume, verdura, proteína, carboidrato do bem, ou seja, integrais. Também aprendi a comer três porções de fruta por dia, bem como iogurtes, queijos brancos, aveia e fibras. O refrigerante foi abolido e cedeu espaço para águas e chás. Outra coisa que aprendi: mexer o corpo é essencial tanto para o corpo quanto para a mente. Gastar energia renova a vida.

A hora do sono também é importante. A criança precisa se sentir segura, mas também precisa ser estimulada a ser independente. Negociar não é uma constante: faz isso que ganha aquilo. Não há negociação. Faz isso porque é importante pra ti e ponto, vem cá que te explico os motivos. E fim de papo.

Meu filho vai ser estimulado desde cedo a fazer as coisas sozinho. É bom que a criança descubra o mundo e arrisque. Cair faz parte, mas ele vai saber que vou estar ao lado, sempre. Meu sonho é ser mãe, mas sei que minha vida não vai ser só aquilo. Eu sei que um bebê ocupa 99% do tempo. Mas antes de ser mãe, esposa ou escritora eu sou mulher. Tenho planos, projetos, desejos. Quero continuar escrevendo, criando, fazendo coisas. Um filho vem pra somar, não pra me apagar. Eu sei que a gente abre mão de muita coisa, vira bobona e muitas vezes prefere ficar abraçadinha no filhote que já pegou no sono do que ir ao cinema. E sei que vou fazer isso. Só que nunca vou parar de trabalhar, produzir, querer coisas. A vida não para. Vou lembrar de não esquecer quem eu sou. É que é importante a gente não se perder da gente. Nunca.


quarta-feira, 10 de abril de 2013

Um passo de cada vez

Imagem: reprodução


Me chamem de adiantada, organizada ou maluca, não me importo. Desde o ano passado compro roupinhas para meu futuro bebê (descobri que tenho o suficiente em roupinhas RN e P). Eu sei que ainda não sou gestante, mas sempre quis ser mãe. Quem me conhece sabe que esse é meu maior sonho. Não é aquela coisa só pra constar, pra cumprir minha função de procriadora, pra deixar algo para o mundo ou coisa parecida. É sonho mesmo. Fecho os olhos e imagino o cheirinho do pezinho do meu futuro filho. E suspiro feliz imaginando aquele pé gordinho e branco.

Já sei exatamente como vai ser o quarto, de que cor as paredes serão pintadas, como ficarão os móveis. Mostrei para o marido como pensei em cada detalhe. E ele, que participa ativamente das minhas loucuras, achou tudo de muito bom gosto. 

Estou acompanhando, no Facebook, grupos fechados sobre amamentação, introdução alimentar para bebês, parto, dúvidas de gestantes, tentantes e mães e outros sobre educação infantil. Gosto de ficar por dentro dos assuntos e entender bem o universo que me espera. Já fiz uma listinha de livros que preciso ler e descobri algumas teorias interessantes de pediatras e gente que entende muito do mundo dos bebês. Estou adorando cada assunto desse universo.

Ultimamente quase nem comento sobre isso com as pessoas, pois já ouvi de tudo. "Comprar roupinha antes dá azar", "nossa, já comprou escova de cabelo?", "já comprou livro?", "já tá pensando no quarto?". Sim, já. E isso não me deixa ansiosa, ao contrário do que muitos pensam. Isso me deixa feliz. Já inclusive sei quais os quadrinhos que vão no quarto do bebê. A decoração do quartinho serve tanto para menina quanto para menino, mas só vou cuidar das coisas quando engravidar. Por enquanto, o quartinho existe no papel e na minha cabeça. As roupinhas estão todas dobradinhas e guardadas. Enquanto isso vou lendo, pesquisando e me informando. Já descobri qual o melhor carrinho, berço, sabonete e etc. Acho importante estar o mais preparada possível. Ainda que na hora a gente acabe fazendo do nosso jeito. E descobrindo outros tantos.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Sobre o medo que apavora, a libertação, a força de vontade e muitas outras coisas



Em alguns dias realmente me sinto uma pessoa abençoada. E, francamente, nem sei se mereço tanto. Não acho que eu seja uma pessoa ótima, nem que faça algo de extraordinário para a humanidade. Mas eu tento deixar algo de bom. Acho que a gente não deve apenas passar pela vida. Eu tenho a minha missão, você tem a sua. E a minha, suspeito, é levar alguma emoção para a vida das pessoas.

Hoje recebi uma mensagem no Facebook que encheu meus olhos de lágrimas. Uma menina relatou sua história de paniquete (nome que inventei pra quem tem Síndrome do Pânico) e no final da mensagem disse em alguns momentos leu meu blog, meus textos e começou a ter esperanças novamente, voltou a pensar no futuro e sorrir. Por quê? Por que ela leu meu relato e viu a minha superação e vontade de viver. Poxa, eu fiquei tão, mas tão emocionada. Explico e repito: só quem já passou por alguma experiência parecida é que sabe como é *insira aqui seu palavrão preferido* viver com esse medo absurdo te rondando. Me emocionei porque minha história modificou o presente e o futuro de alguém. Tem coisa mais bonita?

Nem sempre é simples identificar o transtorno. No começo, uns acham que é frescurite. Outros confundem com outras doenças. Alguns até palpitam que você está querendo chamar atenção, aparecer ou está super carente. Mas ninguém sabe o que é viver no escuro, com luzes apagadas e um chão escorregadio. Ninguém sabe o que é viver com o medo na garganta. Ninguém sabe o que é pensar que vai dormir e nunca mais acordar. Ninguém sabe o que é sentir as pernas moles, geladas, as mãos suadas, o coração disparado, uma dor forte no peito, uma tontura, uma ânsia de vômito, uma sensação de que você está enlouquecendo, outra sensação de que você está morrendo, pernas e braços formigando, sensação de desmaio, suador, vontade de sair dali, mas ir pra onde? Tudo isso junto, ao mesmo tempo, no mesmo segundo. Tudo isso por muitos minutos. Ninguém sabe o que é isso, pois se soubesse jamais diria que é frescurinha, carência afetiva ou qualquer outra coisa. Ninguém sabe o que é ter que fazer terapia uma vez por semana, remexer em passado, em sonho, em mágoa, em trauma, em seu lado mais negro e sombrio para tentar descobrir da onde vem aquilo tudo. Ninguém sabe o que é ficar tentando achar a medicação certa para tentar amenizar sintomas que nunca vão embora. Ninguém sabe o trabalho que dá fazer tarefas simples e corriqueiras, como andar de elevador, medir a pressão arterial, tomar banho, trabalhar, atravessar a rua, ir a um lugar que tenha mais de 10 pessoas no mesmo ambiente (o pânico normalmente vem de mãos dadas com a agorafobia, que é aquela aflição de estar em lugares muito cheios e/ou difíceis de sair. Eu durante muito tempo sentei em lugares perto da porta, assim, caso tivesse uma crise, levantava e conseguia sair logo para tomar ar.) Ninguém sabe o que é dormir e acordar com o medo de ter medo, o medo de ter nova crise. E se eu tiver uma crise no meio do restaurante, no meio da rua, no ônibus, no trânsito, no banho. Ninguém sabe o que é sentir a crise chegar nos momentos mais amenos, como um filme, um gole de suco, um xixi, um escovar os dentes após o jantar. Ninguém sabe. Só quem já passou por isso. 

Pesquisei, li, me analisei e comecei a falar e escrever sobre o assunto e percebi que muita gente tem medo de dizer o que sente ou tem. Infelizmente, alguns torcem o nariz. Ih, é louca. Ih, toma remédio. Ih, que história bem esquisita. Ih, duvido que alguém sinta isso. Pois é, eu também duvidava. E olha que fiz quatro anos de Psicologia, estudei isso na faculdade. Mas uma coisa é a teoria. Outra é a prática. 

Depois que eu entendi o que é o Transtorno do Pânico, tive que me aceitar. Aceitar o que eu tinha, aceitar minha nova "condição", aceitar que eu precisava de ajuda, aceitar que não era feio dizer ei, fica comigo, ei, preciso de você. Eu aceitei. Disse sim pra mim. Depois, tive medo. Medo de não conseguir vencer. Medo de deixar todas aquelas sensações ruins me dominarem. Medo da minha vida nunca voltar a ser como era antes. Medo de nunca mais sair na rua conferindo se eu estava com o celular carregado, se estava com o Frontal na bolsa, se minha carteirinha do plano de saúde estava mesmo dentro da carteira. Medo de ter uma crise e desmaiar no meio da avenida. Medo de ter medo. Aí veio a revolta. Por que eu? Por que comigo? Por que me escolheram? Por que tenho que passar por isso? Por que a vida é tão injusta? Por que logo agora? Por quê? Então, a tristeza tomou conta. Puxa vida, nunca mais vou conseguir fazer as coisas que eu fazia, como ir ao cinema lotado, tomar um banho relaxante e demorado, andar de elevador sem ficar cuidando os andares, andar na rua me sentindo livre, olhar pra mim e me sentir livre. Daí uma solidão me invadiu. Achei que eu era a única no mundo que sentia tudo aquilo, que era refém do medo, que por mais que eu tentasse e tentasse e tentasse e tentasse muitas vezes explicar, meu Deus, ninguém nunca ia entender todo aquele desespero que habitava meu coração e que dava mil cambalhotas mortais e me tirava do prumo e me deixava sem rumo. Sofri. Como eu sofri. Sofri a ponto de chorar por noites e noites e noites, não de depressão ou tristeza, mas de solidão. Uma solidão assustadora, um medo de perder as pessoas que eu amava, um medo de me perder de mim. Uma solidão terrível, pois aquela não era eu e eu me queria MUITO de volta. Então, depois de todas essas fases, eu tentei. Tentei dar um passo de cada vez, tentei fazer dar certo, tentei seguir um tratamento, tentei encontrar não o caminho de volta, mas o caminho do futuro. Tomei um remédio que não resolveu totalmente o problema, fiz muita terapia, tomei o amigo Frontal na hora em que o bicho pegava feio. Um ano depois troquei a medicação. E o Lexapro resolveu demais a minha vida, com ele eu quase não tinha crises. E dele eu me libertei na semana passada. Com ele, eu enfrentei meus medos cara a cara. Ele me deu força para eu encarar os desafios que estavam dentro do meu peito e circulando na minha vida. Sou da opinião que a gente deve tentar vencer aquilo que tenta vencer a gente. E foi o que fiz. Vi uma luzinha fraca no fim do túnel, me agarrei nela bem forte e segui. Porque a gente tem que tentar, tentar, tentar. Por mais que pareça difícil, distante e doloroso. Por mais que ninguém acredite ou bote fé. 

Foi assim que cheguei até aqui. Sei que o caminho ainda é longo. Mas não fico pensando no medo, no que vou sentir, se ainda vou ter alguma crise ou se o Pânico me espera ali na esquina. Penso no hoje, no agora e, é claro, no futuro. Porque a gente tem que ter alguma esperança de que as coisas finalmente vão, sim, ficar bem. E eu tenho. E tenho certeza, querida leitora que me mandou a mensagem bonita, que você também tem.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Vida nova

Imagem: site iSaúde Bahia


Finalmente ontem foi meu último dia de Lexapro. Para quem não conhece a história, vou resumir: em 2010, tive meu primeiro ataque de pânico. A Síndrome do Pânico incapacita, atormenta e é bem mais difícil de superar do que parece. Na verdade, só quem viveu e sentiu sabe exatamente do que falo. De lá pra cá, tomei Anafranil, Frontal e em 2012 um remédio, que pra mim foi milagroso, chamado Lexapro. 

Comecei o processo de desmame devagar. Tomei dia sim, dia não durante uns dois meses. E ontem finalmente tomei o último comprimido. Depois, pensei: e agora? Bate um medo, uma insegurança, uma interrogação. Será que vou conseguir? Essa resposta eu não tenho, mas sei que vou fazer o possível para superar e vencer esse transtorno, que definitivamente não faz parte de mim.

Ainda me sinto ansiosa, mas tento direcionar o pensamento para coisas agradáveis. Além disso, tomo chá de camomila e procuro me distrair com o que é bom. Não dá para entrar na paranóia da ansiedade e dar trela para o pensamento, senão a gente enlouquece. 

Dou um passo de cada vez. Às vezes, para os outros, ele pode parecer pequeno, mas pra mim algumas coisas são realmente valiosas. Semana passada eu viajei sozinha para outro país, me hospedei sozinha num hotel, saí sozinha por lugares movimentados. Me senti uma heroína. Estava muito receosa desta viagem, mas consegui vencer cada dia numa boa. 

Gosto de falar sobre o assunto para que as pessoas entendam que o Pânico não é de outro mundo. Não precisa ter vergonha, nem se sentir maluco. Infelizmente, ainda é tabu, muita gente acha que remédio e psiquiatra é coisa de lelé da cuca. E não é. Pode acontecer comigo, com você, com a sua tia, com o seu melhor amigo. 

É por isso que não julgo quem toma tarja preta, tampouco tiro onda da cara de quem faz terapia 3x por semana. A gente deve tomar cuidado com o que diz e o que pensa, pois tudo muda muito rápido. Como dizem por aí "um dia é da caça, o outro do caçador". 

A partir de agora é vida nova. E minha próxima meta é parar de tomar o remédio para hipertensão. Para isso, já diminuí absurdamente o sal, incluí exercícios físicos na rotina, mudei a alimentação e estou perdendo peso. Logo, logo chego lá.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Grávidas e estilosas

Já foi o tempo em que a mulherada só usava aqueles macacões pra lá de feios durante a gravidez.














Imagens: Reprodução

Gravidez e beleza

Imagem: Reprodução



Eu sempre fui de ficar vidrada em bebês e crianças. Se estou na rua e passa um bebê no colo da mãe ou dentro de um carrinho eu fico de olho. Meu marido até me diz "ei, chega de olhar, a mãe pode achar que vai ter o filho sequestrado". Acho graça. É meio automático, sem querer, nem percebo. Fico olhando e sorrindo. Gosto muito de criança. Da inocência, das macaquices que eles fazem, das palavras erradas, de ver as descobertas, o crescimento, a evolução.

Dia desses vi uma grávida linda na rua. Tão linda que fiquei cuidando cada detalhe. O balanço do cabelo, as unhas, o semblante feliz e sossegado, a barriga grande e redondinha. Que amor. Acho lindo mulher grávida, por isso coloquei essa imagem da Juliana Paes. Essa mulher pra mim é um exemplo de grávida feliz. Ela adora ser mãe e isso fica claro no rosto dela. A felicidade transborda e toma conta. Que coisa bem linda.

Me desculpem, hoje estou toda assim, emotiva, achando tudo lindo. 


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terça-feira, 5 de março de 2013

Meu primeiro desejo




Quando eu era pequena adorava brincar de boneca. E eu tinha muitos nenês. Era uma mãe zelosa, que gostava de ninar meus filhotes. Depois eu cresci e deixei os nenês de lado. Mas a vontade de ser mãe nunca me abandonou, pelo contrário: se tornou cada vez mais intensa e forte.

Sempre quis ter um filho, independente de ter marido. Opções é que não faltam hoje em dia. Dá pra ter filho sem ter um homem ao lado. Mas eu sou antiga, gosto daquela coisa bonita de ter uma família, da criança crescer com uma figura materna e uma paterna. É claro que a criança pode crescer bela e feliz tendo só uma mãe, só um pai, dois pais, duas mães, avós, tios ou dindos. Mas falo do meu sonho, da minha escolha, do meu desejo. Eu queria uma família, com direito a cachorro e papagaio.

Meu marido nunca tinha pensado em ser pai até me conhecer. Ele nunca tinha pensado em ter uma família até me conhecer. Ele nunca tinha pensado em casar até me conhecer. Ele nunca tinha pensado em ter um cachorro até me conhecer. Só que ele me conheceu. E a vida dele mudou, assim como a minha. A gente escolheu a cor das paredes do nosso apartamento, escolhemos a planta da sala, as persianas das janelas, a cor dos armários do banheiro, a televisão nova, os talheres, o fogão, o tapete egípcio, o plano da NET, as toalhas que secam nossos corpos depois do banho. Dividimos as tarefas, as contas, os problemas, as soluções. O amor faz a gente se dividir sem sentir. Faz a gente se doar sem perceber. E isso é bonito e puro. 

Diariamente, treinamos nossos instintos materno e paterno com a Juno, nossa yorkshire. A pequena Juno nos escolheu em uma tarde, lá em Esteio/RS. Tão pequena, tão doce, lambia a minha mão sem parar. Naquela hora eu soube que era ela. Nós soubemos. A pequena Juno nos enche de amor a cada dia, a cada brincadeira, a cada descoberta, a cada gracinha, a cada olhar cúmplice. Ela tem horário para comer, nós nos dividimos na hora de limpar a área de serviço (que é onde ela faz as necessidades em cima do jornal), nos ajudamos na hora do banho, vamos juntos na veterinária, cuidamos dela quando ela adoece, damos carinho, atenção, brincamos, damos limites e disciplina, passeamos com ela. Escolhemos a pequena juntos. Logo na primeira noite, ela tossia sem parar. Assustados, acendemos a luz e colocamos a pequeninha na nossa cama. No outro dia, levamos na veterinária. E foi assim em todos os momentos. Quando ela foi castrada, passamos um Carnaval todinho cuidando dela. Quando ela fez o primeiro xixi no jornal, comemoramos. Quando ela conseguiu subir pela primeira vez no sofá, ficamos felizes. Pode parecer bobo para quem não tem um cachorro, mas cada descoberta é incrível. Um bichinho nos ensina muito. A Juno é uma cadelinha amorosa, querida, educada, meiga, não tem quem não goste dela. Ter um bichinho é um excelente treinamento para quem deseja um dia ter um filho. Naquela tarde em que a Juno lambia a minha mão, nos olhamos e ele me disse: agora a nossa família está completa. Quase, amor. Quase. 


Fofura pouca é bobagem



Acabou de chegar um conjuntinho que comprei faz um tempinho lá na Amazon. Olha que fofura.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Deixem meus mamilos em paz!




Às vezes me arrependo um pouco por ser boca grande e sair compartilhando meus projetos com os outros. Nem todo mundo torce pelo nosso sucesso, êxito e felicidade. Que pena. Sério, sinto pena de quem não tem a capacidade de ficar feliz com a felicidade alheia. 

Torço muito para os que me são importantes. Quero que eles tenham paz, que encontrem sempre os melhores caminhos, que tenham serenidade, força, sorte. É claro que a inveja faz parte do ser humano. Impossível não senti-la. Impossível matá-la. Mas é possível mantê-la no seu devido lugar. É perfeitamente possível acertar o tom e o passo da inveja. Ei, inveja, pega leve. Ei, inveja, sai fora. Ei, inveja, aqui não é o teu lugar. Ei, inveja, tu anda muito saliente. Ei, inveja, menos. Ei, inveja, deixa de ser saidinha. Repito: somos humanos. É normal sentirmos uma inveja aqui e outra acolá. Me desculpe, não acredito em inveja branca. Inveja é inveja. A inveja que eu sinto é aquela de "puxa, que legal isso que você conseguiu, também quero". Atenção: também quero. NÃO O SEU. Quero algo meu. Também quero. NÃO PUXAR O SEU TAPETE. Mas ter o meu próprio tapete persa. Entende a diferença? Minha inveja não é travestida de raiva. Não tem nada oculto ali, não. É apenas a vontade de ter. Sinto inveja de quem tem um bebê lindo e saudável. Também quero. Não, minha amiga, não fica com medo; não vou sequestrar o teu bebê. Não quero o seu. Quero o meu. Do meu jeito, com a minha boca, com os olhos do meu marido, com a paciência do meu marido, com o bom humor do meu marido, com o gênio do meu marido. Porque se tiver o gênio como o meu, fodeu.

Como eu dizia, torço pelos que amo, admiro ou quero bem. Sou assim, da turma da torcida. Se eu posso fazer algo pra te ajudar pode ter certeza que vou fazer. É de mim isso. Se eu posso amenizar a tua dor, ainda que seja com minhas palavras tortas e sem sentido, vou procurar fazer o possível para que isso aconteça. Eu SOU assim. E não vou mudar. Nem quero. Não sou santa, mas gosto que os outros estejam bem. Inclusive eu.

Tenho ouvido tanto, tanto. Mas tanto que chego a me arrepender por alguns segundos por ter feito este blog. Criei o ABC do nenê pra não atormentar meus leitores lá no site com papos bebezísticos. Pra dividir experiências, fazer confissões, fazer uma troca bonita, falar sobre os sonhos e anseios da maternidade. Mas não sei se foi uma boa ideia. Estou aqui di-vi-din-do. Não espero aplausos, sorrisos, dedos apontados ou julgamentos chatos. Só estou dividindo. Mais nada. Mas tem gente que não sabe dividir, somar, se doar. Tem gente que só aprendeu a subtrair. Mais uma vez: que pena.

Algumas das coisas que tenho escutado e lido: meio cedo para comprar roupinhas, né? Meio cedo para fazer tantos planos, né? Devia consultar outro médico, pois pressão alta e pânico exigem um obstetra especializado em gestação de alto risco. Aproveita pra dormir agora, depois nunca mais vai dormir uma noite inteira. Aproveita pra viver agora, depois a vida gira em torno de uma criança. É bom mesmo chegar no peso ideal pra não ter diabetes. Olha, toma cuidado, essa coisa de pressão alta é muito perigosa. Eu não engravidaria tendo Síndrome do Pânico. Um filho destrói um casamento. Ih, pensa bem, hein? Pânico na gestação é bem complicado. Já começa a tomar sol no mamilo pra deixar ele mais forte. Não passa sabonete no mamilo. Belisca o mamilo pra ele ir acostumando, amamentar enche os seios de feridas. Parto normal é horrível, ainda mais pra quem tem pressão alta. Faz cesariana! Se perder o primeiro não desiste, é bem comum!

Caceta! Caralha! Agradeço demais pela força, pelas palavras de incentivo, de carinho (ou não), pelas dicas, por isso e aquilo. Mas, sinceramente, se não tem algo de BOM e AGRADÁVEL pra dizer, por favor, não diz. Se não tem uma experiência bacana pra compartilhar comigo, por favor, fecha a matraca. É incrível como as pessoas têm um palpite pra tudo. E é mais incrível ainda que tem gente que adora uma tragédia, tem uma história ruim pra contar ou acha que sabe mais e melhor que a gente. Eu tenho um bom médico, confio nele. O parto vai ser do jeito que tiver que ser, do melhor jeito pra mim e para o bebê. Antes mesmo de pensar em parto, tenho que engravidar. E vai acontecer quando tiver que acontecer. Acredite, eu li MUITO a respeito de hipertensão, pânico e gestação. MUITO. Estou tentando ficar tranquila quanto a isso. Por favor, não vem encher minha cabeça de caraminhola. Não acho que a vida TERMINA com a chegada de um bebê. Acho que é aí que COMEÇA uma nova etapa na vida da mulher, do homem, do casal. Também acho que um filho só destrói um casamento que nunca foi sólido. Deixem meus mamilos em paz! Diabetes gestacional pode surgir mesmo em mulheres magras. 

Chega de conselhos de padaria. Sei que isso é só o começo. Depois que engravida é pior ainda. E depois que o bebê nasce surgem mil especialistas ensinando como amamentar, como dar banho, como cessar o choro, como acalmar a cólica. O mundo está cheio de gente pós-graduada em alguma coisa.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Pequeno enxoval

Imagem: We heart it


Hoje resolvi fazer um levantamento de tudo que o bebê já tem. Comecei a comprar devagarinho no ano passado. Uma coisinha aqui, outra ali, cores neutras. Embalei um a um e coloquei dentro de duas daquelas embalagens de cobertores e lençóis. Minha mãe deu a ideia de colocar um sabonete aberto dentro de cada uma. Então, coloquei um sabonete da Johnson's (adoro o cheirinho) dentro de cada embalagem.

Olha a listinha:

3 babadores
1 macacão RN
3 calças de algodão RN
2 fraldinhas de boca
1 all star de crochê
6 pares de meia de 0 a 6 meses
2 body de manga comprida RN
1 conjuntinho de casaquinho + calça com pezinho tamanho único
1 macacão tamanho P
1 conjunto (touca, luvas e meias) de malha RN
1 cueiro de malha
1 conjuntinho de escova + pentinho
1 toalha de banho com capuz
1 mijão sem pé RN
1 mijão com pé RN
1 camisetinha de manga curta G
5 body de manga comprida P
1 conjuntinho de body curto + body comprido + calça RN
1 swaddle
1 camisetinha de manga comprida P
3 mijão sem pé P
1 mijão com pé P
1 body manga curta M


Tem gente que já me perguntou se eu não ficava mais ansiosa fazendo enxoval. Não, não fico. Pelo contrário, me sinto bem comprando coisinhas. Uma pessoa me disse que dava azar. Não acredito nisso, conforme já disse: o que a gente faz com amor só pode dar certo.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

What color eyes will your children have?

AQUI dá pra ver se o bebê vai nascer com os olhos castanhos, azuis ou verdes.

Encantadora de bebês

Clica AQUI para conhecer um blog sobre a aplicação do método da inglesa Tracy Hogg.

Meu nome é Clarissa e meu sobrenome é Ansiedade

Imagem: Reprodução



E daí eu fui ao médico. É, isso mesmo. Na véspera, mal consegui dormir. Fiquei pensando mil bobagens, como de costume. Como não consegui marcar no consultório que sempre vou, tive que marcar em um outro consultório que ele atende, na Santa Casa. O problema é que a Santa Casa me traz más recordações. Explico: duas vezes tive que ficar na sala de medicação, por conta de crises hipertensivas que tinham a ver com a Síndrome do Pânico. Em uma vez, minha pressão estava 18 por 10. Na segunda, 17 por 9. Já aconteceu de eu ter que voltar na Santa Casa por causa do meu marido, que teve crise renal. Mas não me deu nada, fiquei numa boa, segurei a onda. Minha e dele. Cheguei na Santa Casa com um frio na barriga e um suador na palma das mãos. A parte dos consultórios é bem longe da Emergência, de onde fiquei. Mas nem isso me deixou mais aliviada. 

Antes de mais nada eu quero dizer que a.m.o o meu médico. Ele é ótimo, querido, atencioso, paciente, competente e atende com a maior tranquilidade do mundo, como se a gente fosse única e especial. Jader Burtet é o nome dele: ginecologista, obstetra e mastologista. Cheguei lá, de mãos dadas com meu marido. Oi, Jader. Oi, Clarissa. Então, Jader, a gente quer ter um bebê. Ai, que coisa boa, Clarissa. Pois é, Jader, sei que tu vai dizer que não, mas por mim eu já fazia todos aqueles exames pra ver se posso ter filho. Ele sorriu e disse: é muito cedo pra pensar nisso. É, eu sei que é. Mas a minha cabeça não acha isso. Ela pensa um montão de coisa feia. E o trabalho sujo, de dar um sossega leão nos pensamentos, é todo meu. Nem sempre venço, mas juro que me esforço.

Perguntei se o uso prolongado da pílula pode trazer alguma dificuldade para engravidar, ele disse que não. Perguntei se vou demorar muito para engravidar, ele disse que não tem como prever. Só é feita uma investigação mais profunda se o casal tenta há mais de um ano, sem sucesso, ter bebê. Perguntei se já paro de tomar a pílula, ele disse que ainda não. Primeiro ele quer que eu faça uns exames. Depois, talvez eu tenha que tomar algumas vacinas. Então, posso parar a pílula e começar a tomar o ácido fólico. Ele disse que é bem difícil engravidar de primeira. A chance de engravidar a cada ciclo é em torno de 20%. O número de mulheres que perdem o bebê na primeira gestação é em torno de 13%. Sim, eu perguntei tudo que pode dar errado. Ele me mandou relaxar. Contei que estou fazendo uma dieta, que quero estar no meu peso para engravidar. Ele disse o seguinte: faz a tua dieta e quando te sentir confortável começa a tomar ácido fólico. Pedi três meses para entrar em forma, ele disse que tudo bem. Que é até bom esperar esse tempo, para fazer os exames e tomar as vacinas. Questionei sobre o Pânico, sobre a pressão e ele disse o seguinte: realmente eu preciso parar de tomar o remédio do Pânico, mas já comecei o processo de desmame. Falou que se for necessária alguma medicação, a Fluoxetina é a única que poderei tomar, que tem que ser avaliado por ele e pelo psiquiatra. Reforcei que por mim não tomo absolutamente nada, fico só no chá de camomila. Estou tomando florais, ele disse que quando eu engravidar vou ter que parar, pois eles têm álcool na fórmula. Sobre a pressão, ele disse que emagrecendo ela já vai diminuir, mas caso não normalize ele dá outro jeito. Me deixou tranquila, me deixou segura, me deixou sem medo. Pediu muitas vezes para que eu relaxasse. Saí de lá com uma requisição e feliz. Até que.

A gente sempre encontra pelo caminho alguém pessimista. E alguém que adora jogar areia no sonho do outro. É ou não é? Então encontrei uma amiga, comentei com ela sobre o médico e ela cortou o meu barato na hora. Olha, Clarissa, pressão alta é um problema sério, tem que cuidar, tem que ver isso aí, em alguns casos nem é bom engravidar. Meu ginecologista tem todo o meu histórico, sabe de todos os meus problemas, falei que morro de medo de ter pré-eclâmpsia, de morrer, do bebê ter algum problema, etc. e tal. Ele me explicou diversas coisas e pediu que eu ficasse tranquila. Mas eu não sei ficar tranquila. Então, pesquisei no Dr.Google sobre gravidez e hipertensão. Li várias histórias tristes de mulheres que tiveram que fazer cesariana com 20 e poucas semanas e, é claro, o bebê não sobreviveu. Li outras tantas histórias de mulheres que tiveram pré-eclâmpsia, convulsão e sei lá mais o que e o bebê também não sobreviveu. Li mais outras tantas histórias horríveis e pensei: talvez ter um bebê não seja pra mim. E chorei. E fiquei triste. E percebi que de repente eu estou sofrendo por antecipação. Então resolvi tentar ficar tranquila.

Pode ser que emagrecendo a minha pressão estabilize. Pode ser que eu engravide e tenha uma gestação tranquila. Pode ser que eu engravide e minha pressão fique maluca. Mas tem um remédio que as gestantes podem tomar. Mas tenho um médico que é super cuidadoso. Mas tem formas de deixar o bebê mais forte caso o parto tenha que ser antecipado. Mas se fosse realmente um risco meu médico diria. Então resolvi respirar fundo, curtir esse momento bacana de preparação, me focar em dieta e exercícios e fazer os exames. Sem drama, sem colocar a carroça na frente dos bois e da boiada inteira. Espero que eu consiga.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A amamentação em público

Todo mundo sabe o poder e a importância da amamentação. Amamentar reforça os vínculos entre mãe e bebê, diminui riscos de alergia, reforça o sistema imunológico do bebê, evita doenças. Amamentar também diminui o risco da mãe ter câncer de mama. O leite materno é o alimento mais completo para o bebê.

Acho muito lindo ver uma mãe amamentando o seu filho. Mas dia desses vi uma cena que me deixou com uma interrogação no meio da boca: uma mãe amamentando uma criança no meio da rua, com a blusa levantada, com a barriga e os dois peitos de fora. Achei feio. Eu sei que quando o bebê sente fome nem sempre é possível escolher um lugar calmo e tranquilo e sentar para amamentar decentemente. Mas alguns cuidados são sempre bem-vindos. 

Quando chegar a minha vez certamente não vou ficar fazendo a exposição da figura dessa forma. Existem capas de amamentação, blusas especiais, até mesmo um cueiro faz o favor de cobrir a barriga e outras partes. Eu sei que amamentar é super natural, mas acho que não vou me sentir bem colocando a teta pra fora da blusa no meio da rua, em pé, encostada em uma parede. 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O que é o tal de swaddle?

No mundo dos bebês, sobram nomes e artigos (de luxo e de lixo). Alguns são totalmente dispensáveis, outros tantos merecem destaque. Um dia, ouvi falar no tal do swaddle. Fiquei me perguntando o que raios era aquilo. Antes disso, é claro, decidi que queria um para o meu futuro bebê. Após pesquisas, descobri que o swaddle (que significa cueiro ou coberta) nada mais é que um pedaço de pano para fazer um embrulhinho no bebê.

Nos primeiros dias e semanas do recém-nascido, é essencial que ele se sinta seguro, confortável, quentinho e firme, como estava lá dentro do útero. É perigoso fazer o embrulhinho com qualquer cobertinha, pois se ele ficar mal feito ou muito solto pode acabar sufocando o bebê. Também é bom usar um cobertor fino, de malha, que não pese muito no corpinho do nenê.

O pediatra Harvey Karp, autor do livro "The happiest baby on the block", afirma que o ato de enrolar o bebê reduz o choro e ajuda os pequenos a dormirem de barriguinha para cima. Entretanto, parece que no Canadá alguns médicos discordam da opinião de Karp. Apontam que problemas como displasia do quadril, superaquecimento do bebê ou morte súbita (sufocamento causado pelo cobertor) podem acontecer com a prática do swaddle. 

Eu acho muito mais fácil e seguro comprar o swaddle wrap, que vem com espacinho para o bebê colocar as pernas e velcro para fechar o "pacotinho". Dessa forma, problemas como pontas soltas são completamente evitadas. Também vale ter bom senso: se é inverno, pode agasalhar mais o bebê e colocar o swaddle. Se é verão, deixa o bebê mais fresquinho e coloca um swaddle levinho. Também não precisa apertar muito, a ideia é deixar o bebê seguro, não completamente preso.

O bom é que o swaddle ajuda a prevenir os sustos dos movimentos involuntários que os bebês fazem, ajuda os pequenos a dormirem com mais facilidade, previne arranhões e dá mais segurança para quem está ainda descobrindo o mundo. Comprei um swaddle pela internet, da marca Goldbug, chegou hoje, é verde e bem levinho. 








segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A depressão pós-parto

Imagem: Reprodução

Chega um certo momento da relação que o casal decide aumentar a família. Depois que a mulher engravida e prepara a casa e a vida para o novo bebê, surge uma dúvida: será que vou dar conta? Alguns questionamentos ficam fazendo ronda na cabeça, feito guarda noturno. Então, finalmente chega o grande dia: o parto. 

O parto é diferente para cada mulher. Já ouvi relatos de mulheres que ficaram quase 24h em trabalho de parto. Outras deram 3 ou 4 empurrões e o bebê nasceu. Algumas amigas, que fizeram cesariana, se recuperaram super bem e não se queixaram de nada. Outras disseram que fazer cesárea é um horror. Definitivamente, é uma experiência que varia muito de mulher pra mulher. 

O fato é que depois que o bebê nasce a vida se transforma. Depois que o casal chega com aquele bebezinho pequeno e delicado em casa tudo se modifica. Inclusive muitas mulheres. É super comum sentir uma tristezinha depois de parir, afinal, o corpo passa por diversas explosões hormonais. A tristeza tende a desaparecer em alguns dias. Mas se ela não vai embora e começa a ficar mais intensa, sinal vermelho, pode ser um alerta para um problema sério que merece atenção, cuidado e tratamento imediato: a depressão pós-parto.

Li uma entrevista que o Drauzio Varella fez com um psiquiatra chamado Frederico Navas Demétrio, que é supervisor do Ambulatório de Doenças Afetivas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo e autor do livro "Entendendo a Síndrome do Pânico". Achei muito interessante e esclarecedora.


Imagem: Reprodução



DIFERENÇA ENTRE TRISTEZA E DEPRESSÃO PÓS-PARTO

Drauzio – Qual a diferença básica entre tristeza e depressão pós-parto?
Frederico Navas Demetrio – É importante estabelecer essa diferença. A tristeza pós-parto é quase fisiológica. Dependendo da estatística, de 50% a 80% das mulheres apresentam certa tristeza, certa disforia e irritabilidade que têm início em geral no terceiro dia depois do parto,  dura uma semana, dez, quinze dias no máximo, e desaparece espontaneamente. Já a depressão pós-parto começa algumas semanas depois do nascimento da criança e deixa a mulher incapacitada, com dificuldade de realizar as tarefas do dia a dia.
Drauzio – Existe explicação neurobioquímica para a depressão pós-parto?
Frederico Navas Demetrio – O pós-parto é um período de deficiência hormonal. Durante a gestação, o organismo da mulher esteve submetido a altas doses de hormônios e tanto o estrógeno quanto a progesterona agem no sistema nervoso central, mexendo com os neurotransmissores que estabelecem a ligação entre os neurônios. De repente, em algumas horas depois do parto, o nível desses hormônios cai vertiginosamente, o que pode ser um fator importante no desencadeamento dos transtornos pós-parto. Mas esse não é o único fator. Todos os sintomas associados ao humor e às emoções são multideterminados, ou seja, não têm uma causa única. Portanto, não é só a deficiência hormonal que está envolvida tanto na tristeza pós-parto, quanto no quadro mais grave que é a depressão pós-parto.

Drauzio – Que fatores são esses?

Frederico Navas Demetrio - Mulher com história de depressão no passado, seja relacionada ou não com o parto, ou depressão durante a gravidez (quadro menos frequente, mas também possível) está mais sujeita a desenvolver transtornos depressivos. Alguns fatos, por exemplo gravidez não desejada ou não planejada, causam aumento do estresse ao longo da gestação e podem contribuir para o aparecimento do problema.
Drauzio –  Como você distingue a simples tristeza pós-parto de curta duração que passa  espontaneamente da depressão que precisa ser tratada adequadamente?
Frederico Navas Demetrio –. Diante de um paciente com palidez cutânea que reclama de fraqueza, o médico pede um hemograma que confirma o diagnóstico clínico de anemia. Em psiquiatria, não existem exames complementares para respaldar o diagnóstico, que depende basicamente dos sinais e sintomas que a pessoa apresenta, de como eles se manifestam ao longo do tempo e de sua intensidade. Outro conceito importante para distinguir a tristeza da depressão pós-parto é determinar se o transtorno é disfuncional, isto é, se interfere na vida do dia a dia.

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DIAGNÓSTICO
Drauzio – Quando começam a aparecer os sintomas de tristeza?
Frederico Navas Demetrio - A tristeza pós-parto surge dois ou três dias depois de a mulher dar à luz, em cinco dias atinge o máximo e some em dez dias. A depressão instala-se lentamente; só de quatro a seis semanas depois do parto o quadro depressivo torna-se intenso. É uma doença que exige tratamento mais agressivo com medicamentos.
Por isso, se atendo uma mulher, uma semana depois de ter dado à luz, com os sinais clássicos de tristeza puerperal, que pode ter sido desencadeada até por privação do sono – às vezes, o bebê acorda muito à noite – e por mudanças hormonais, recomendo que espere um pouquinho, pois essa sensação desagradável poderá desaparecer em alguns dias sem deixar vestígios. Ao contrário, se os sintomas foram se instalando gradativamente ao longo de várias semanas e ficando piores a cada dia, ela pode estar desenvolvendo um quadro de depressão pós-parto.
Drauzio – Isso quer dizer que, num primeiro contato, é muito difícil estabelecer o diagnóstico com clareza.
Frederico Navas Demetrio – É difícil. Entretanto, se a moça deu à luz há mais de um mês e a tristeza continua intensa, é grande a probabilidade de estar com depressão pós-parto. Fechar o diagnóstico, porém, depende dos sintomas que apresenta e de como e quanto eles estão interferindo no seu dia a dia.
Drauzio – Com que frequência aparecem os casos de depressão pós-parto?
Frederico Navas Demetrio – Segundo revelam as estatísticas americanas, a depressão verdadeira, essa que surge várias semanas depois do parto e requer tratamento específico, acomete em torno de 10% a 15% das mulheres, o que é um número muito alto.
Drauzio – Essas mulheres recebem o diagnóstico de depressão quando manifestam os sintomas?
Frederico Navas Demetrio – Infelizmente, a maior parte dessas mulheres não fica sabendo que está deprimida e atribui os sintomas ao estresse, ou não tem suas queixas valorizadas pelo companheiro, nem pelo pediatra que atende a criança, nem pelo obstetra que acompanha o pós-natal. Como o início não é abrupto, o transtorno assume ares de algo fisiológico, sem importância, e elas não recebem o tratamento adequado. O resultado é que, às vezes, o quadro pode resolver espontaneamente, mas, em muitas outras, pode tornar-se crônico.

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SINAIS DE ALERTA
Drauzio – Como a mulher que está se sentindo meio entristecida depois do parto pode perceber que aquilo é algo passageiro, ou sintoma de uma depressão mais grave?
Frederico Navas Demetrio – Para a mulher que deu à luz há poucos dias, é quase certo que os sintomas desaparecerão espontaneamente em duas ou três semanas. No entanto, aquelas que deram à luz há um mês, um mês e meio, e estão cada vez mais tristes, precisam prestar atenção em alguns sintomas fundamentais.
O primeiro é que a tristeza não está relacionada só com o nascimento da criança. Não está restrita ao fato de não se considerar boa mãe nem suficientemente capaz para cuidar do bebê. A tristeza permeia outros contextos de sua vida. A mulher deprimida perde o interesse pelo programa de televisão que gostava de ver, pelas leituras que lhe davam prazer, pela profissão. Às vezes, a licença-maternidade está chegando ao fim e ela pouco se importa com a perda do emprego se não reassumir o cargo.
Outros sintomas são a sonolência, a falta de energia durante o dia inteiro, o desinteresse pelo marido, o desejo sexual que não retorna e as alterações do apetite para mais e para menos. Algumas ficam famintas e comem muito. Outras nem podem chegar perto dos alimentos.
A ansiedade faz parte também do quadro de depressão pós-parto. A mulher tem ataques de pânico sem ser portadora desse transtorno ou pode desenvolver comportamentos obsessivos em relação à criança como agasalhá-la demais ou verificar a cada instante se ela está respirando.
Drauzio – Toda mulher faz isso quando tem um filho. Como saber se esse sintoma faz parte de um quadro patológico?
Frederico Navas Demetrio – Na depressão pós-parto, esse comportamento é exagerado e está associado a muita tristeza. Acima de tudo, o sofrimento é enorme e a pessoa está consumida pela sensação de fim de linha e de sua capacidade para sair daquela situação. De qualquer forma, repito, é sempre preciso considerar o conjunto dos sintomas para fechar o diagnóstico.

Imagem: Reprodução

PREVALÊNCIA
Drauzio – A depressão pós-parto é mais frequente no nascimento do primeiro filho ou aparece também nas outras gestações?
Frederico Navas Demétrio – Depende dos antecedentes da mulher. Se ela teve depressão no pós-parto de um filho, a possibilidade de repetir o quadro em outra gestação é de 50%.
Na verdade, a recorrência da depressão é muito alta. Ela é considerada uma doença episódica recorrente e a tendência é manifestar-se novamente se repetida a situação em que surgiu pela primeira vez.
Drauzio – Mas isso acontece também com a depressão comum…
Frederico Navas Demetrio – Ocorre, sim. Em 50% dos casos, quem teve depressão uma vez vai repetir o quadro em algum momento da vida. Se ela se manifestou no período pós-parto, cerca de 30% das mulheres correm o risco de desenvolver a doença fora desse período.
Drauzio – A mulher que teve depressão na adolescência ou na vida adulta corre risco maior de desenvolver depressão pós-parto?
Frederico Navas Demetrio – O risco de depressão pós-parto é maior se a mulher desenvolveu um episódio depressivo anteriormente, mesmo que tenha sido tratada, ou se teve depressão durante a gravidez. Anos atrás, considerava-se que as doses elevadas de hormônios presentes durante a gestação protegiam a mulher. Hoje se sabe que não é bem assim. Mulher grávida também está sujeita a ter depressão. Como, muitas vezes, ela interrompe o tratamento temendo que a medicação possa prejudicar a criança, o risco de a doença agravar-se depois do parto aumenta muito.

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TRATAMENTO

Drauzio – Há medicamentos para tratar a depressão seguros para o feto?

Frederico Navas Demétrio – Há medicamentos seguros. Tanto os mais antigos, os tricíclicos, quanto os mais modernos, como os inibidores de recaptura da serotonina, são seguros quer em termos de malformações quer como agentes neurocomportamentais, ou seja, não provocam malformações na criança nem alterações em seu comportamento. Acompanhados até a idade pré-escolar, os filhos de mulheres que engravidaram tomando esse tipo de medicação não mostraram nenhum transtorno comportamental.
Há alguns anos, o tratamento de escolha para a depressão durante a gravidez era o eletrochoque. Hoje, ele só é indicado  para casos muito graves, com risco de suicídio e que exigem resposta rápida.
Drauzio – Se tomados durante a fase de amamentação, esses remédios podem prejudicar a criança?
Frederico Navas Demetrio – Durante a gestação, esses medicamentos não interferem na formação da criança, porque dentro do útero ela não faz esforço respiratório. Depois que nasce, porém, seu efeito sedativo pode passar pelo leite e o perigo existe. Por isso, são indicados alguns antidepressivos específicos que passam menos para o leite materno e o esquema é discutido com a mulher. Uma das sugestões é desprezar o leite colhido algumas horas depois de tomada a medicação, aquele em que os componentes da droga estão mais concentrados, e oferecer o colhido mais tarde. Isso diminui a exposição da criança ao antidepressivo e permite utilizá-lo durante o aleitamento.
Drauzio – O uso da medicação é sempre fundamental no tratamento da depressão pós-parto?
Frederico Navas Demetrio – É sempre fundamental. Embora algumas depressões desapareçam espontaneamente, uma porcentagem significativa se cronifica. E tem mais: se não for tratado, o episódio agudo pode deixar um resíduo que se confunde com a distimia, uma forma de depressão mais leve, crônica, que interfere na capacidade de raciocínio e no desempenho funcional. Muitas vezes, essa depressão contínua é considerada um traço da personalidade da mulher e nenhuma providencia efetiva é posta em prática.
Drauzio – A psicoterapia também ajuda a tratar da depressão?
Frederico Navas Demetrio – Como a depressão em geral tem múltiplos fatores determinantes, isto é, não é provocada só por condições biológicas, mas tem fatores sociais e familiares envolvidos, a psicoterapia individual ajuda a mulher a lidar melhor com o problema e a descobrir que tem um potencial que precisa ser estimulado.
Drauzio – Nos casos em que a depressão não é diagnosticada e evolui sem tratamento, há risco de suicídio?
Frederico Navas Demetrio – Embora localizada no período pós-parto, a depressão se comporta da mesma maneira que nas outras fases da vida, e o risco de suicídio existe. No caso específico da depressão pós-parto, a forte ligação entre mãe e filho acaba protegendo um pouco a mulher. Mas, se a evolução da doença for muito negativa e os sintomas se agravarem progressivamente, ela pode chegar à conclusão de que é realmente incapaz de cuidar da criança e, infelizmente, cometer suicídio.
Drauzio – Muita gente confunde depressão pós-parto com os casos de psicose em que a mãe agride e eventualmente mata o filho. Existe alguma relação entre essas duas doenças?
Frederico Navas Demetrio – Depressão pós-parto e psicose puerperal são quadros muito diferentes. Felizmente, os casos de psicose são raros. A prevalência é de um caso para cada cem mil nascimentos.
O início da psicose puerperal é precoce. Durante a primeira semana depois do parto, a mulher perde o contato com a realidade e começa a acreditar em coisas que não existem, a ouvir vozes, a ter a sensação de incorporações com entidades, delírios e crenças irracionais.
Às vezes, imagina possuir superpoderes e pode lesar a criança não intencionalmente, mas porque acha que pode voar e atira-se pela janela com o bebê no colo. Essa doença muito grave é bem diferente da depressão que começa várias semanas depois do parto e evolui gradativamente.


Fonte: site do Drauzio Varella